Chelepa
sábado, 24 de dezembro de 2011 // 0 comments
E desde que nasci me senti um certo privilegiado, um dos
poucos sujeitos a conhecer essa face tão cruel – tão real – da maravilhosa
Paris. Por que virando a esquina daquele belo bistrô, aonde um excêntrico
leva sua puta de luxo para um aperitivo. Seguindo pela avenida de flores, aonde
um cafajeste seduz uma bela moça. Você encontra a verdadeira sociedade, fedendo
a peixe podre num beco sujo.

Agora nesta sarjeta escurecida pela sujeira, eu aprecio o
mais delicioso vinho barato que a Europa pode oferecer. Neste sabor de pecado,
há uma prostituta que se esfrega contra meu corpo, imaginando que o terno
roupado me faz parecer um cafetão.

Sob esse ar romântico as estrelas de Paris parecem brilhar
num código obsceno. Os pobres não tem o privilegio de amar – os ricos tem
dinheiro para comprá-lo.

Numa esquina qualquer eu fodo uma prostituta, como o mundo
me fodeu, desde de que uma puta me pariu.

Alguns religiosos hipócritas passam em suas áureas sujas
encarando com desprezo. Cuspo em um deles. Não que seja um cara mal, apenas não
me aprecio desta falsa moralidade.

Um gato corre de sua lata de lixo fugindo de algo -
amedrontado. Do que tem medo gatinho? Eu sou apenas um vagabundo, mais um
desses filhos bastardos da sociedade.

E L F
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